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Bispo fecha igreja e acaba com festejo da padroeira após prefeitura contratar banda de forró com música pornográfica

Dom Plínio José Luz da Silva
Postado em 9/8/2017
O bispo diocesano de Picos, Dom Plínio José Luz, comentou, durante uma celebração na manhã desta quarta-feira, 09, o impasse que resultou no cancelamento do 129° festejo da Padroeira de Pio IX - PI, Nossa Senhora do Patrocínio. Ele lamentou a forma como tudo aconteceu com o desmonte do palco da igreja por determinação da prefeita Regina, sob a proteção de uma guarnição da Polícia Militar. Para o sacerdote este foi um ato de violência.

“A Polícia Militar é para a segurança do povo em geral, da comunidade, mas não para agir desse jeito. Não sabemos se o nosso comandante (comandante do 4° BPM de Picos, tenente coronel Edwaldo Viana) está a par disso aí, embora não vá diminuir a nossa proximidade com a instituição. No entanto, a PM foi para derrubar (o palco), e isso é uma afronta a Igreja, pois não utilizamos de violência”, declarou.

O bispo frisou que a Igreja Católica foi absolutamente desrespeitada. Ele citou a frase escrita no palco da prefeitura, em frente a Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio: ‘Amor’ sacana; daí você tira o nível desse ambiente que leva os jovens a passar a noite toda dançando; quer dizer, você celebra a festa do padroeiro e na frente do templo tem um palco com o som alto e música pornográfica a noite toda? A Igreja não pode aceitar uma coisa dessas”.

Dom Plínio disse ainda que o terreno onde a prefeitura montou o palco pertence a Diocese de Picos, tratando-se, portanto, de uma área particular. Ele relembrou que no ano passado a questão foi levada até o Ministério Público Estadual (MPE), que deu razão a Igreja.

Essa decisão tranquilizou os organizadores do evento que passaram a acreditar que a situação estava resolvida. Isso aumentou a surpresa da equipe com a decisão da prefeita de Pio IX, Regina, de desmontar o palco dos festejos e celebrar o aniversário da cidade naquele terreno.

Em entrevista ao Folha Atual Dom Plínio frisou que o cancelamento dos festejos era necessário, uma vez que a Igreja Católica não “trabalha com violência”. Ele informou que a Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio ficará fechada pelos próximos oito dias, e espera que as pessoas possam refletir sobre esse acontecimento.

O bispo participou da reunião que decidiu pelo cancelamento dos festejos e percebeu a tristeza entre os fiéis pelo ineditismo da situação, especialmente aqueles que integram as pastorais. Apesar do conflito, ainda não houve uma conversa com a prefeita Regina. Ela já teria se manifestado sobre a situação em uma rádio de Pio IX.

Indagado se a Diocese de Picos tomará alguma medida jurídica quanto ao ocorrido, Dom Plínio enfatizou que não agirá com violência, e que no próximo ano promoverão novamente a festa de Nossa Senhora do Patrocínio. “Se todos os anos fizerem a mesma coisa, a gente para, até que o povo se conscientize sem violência, e tome uma decisão”, declarou.

Fonte: Folha Atual

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